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Como escolher um bom gestor de fundos imobiliários? Cinco perguntas — e um estudo inédito

A Brick360 avalia cada gestora de FII por cinco pilares — transparência, track record, desempenho por segmento, conflitos de interesse e reputação. Para dar rigor ao pilar de desempenho, mapeou pela primeira vez o retorno de todas as gestoras do IFIX em quatro horizontes. A conclusão: mais do que a classe, o que separa ganhos de perdas é a escolha do gestor.

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Como escolher um bom gestor de fundos imobiliários? Cinco perguntas — e um estudo inéditoEducacional
Brick360 5 min

Dois investidores colocaram dinheiro em "fundos de papel" — a categoria de fundos imobiliários que investe em recebíveis (CRIs). Em três anos, um deles viu o patrimônio crescer quase 47%; o outro, encolher 76%. Mesma classe de ativos, mesmo segmento, mundos opostos. A diferença não foi o "mercado de FIIs": foi o gestor.

Esse contraste é o ponto de partida de um estudo inédito da Brick360, que reconstruiu o retorno total (cota mais proventos) de todas as gestoras do IFIX, consolidado por casa, em quatro horizontes — 2026, três, cinco e dez anos. O levantamento nasceu de uma pergunta simples e pouco respondida no mercado: como avaliar um gestor de fundos imobiliários?

As cinco perguntas que importam

Para a Brick360, retorno passado é apenas uma parte da resposta. A plataforma avalia cada gestora em cinco pilares, que resultam em uma nota de 1 a 5:

É uma mudança de régua importante: um gestor pode ter um track record apenas mediano e ainda assim receber nota geral excelente, se for forte em transparência, governança e ausência de conflitos — e vice-versa. O retorno diz o que aconteceu; os outros pilares ajudam a dizer se vai se repetir.

O pilar do desempenho, medido com rigor

Para o pilar de desempenho, a Brick usou como régua o IFIX — o índice do próprio mercado de FIIs. Superar o IFIX é o que, de fato, mede a habilidade do gestor: significa entregar mais do que o mercado teria dado sozinho. E é aí que a dispersão aparece.

Em três anos, 21 das 40 gestoras com histórico completo superaram o mercado — praticamente metade. Mas a distância entre a melhor e a pior chegou a 123 pontos percentuais. Ou seja: o investidor que escolheu bem multiplicou capital; o que escolheu mal, destruiu.

Poucos batem o mercado de forma consistente

Bater o índice em uma janela pode ser sorte; repetir em três é método. Cruzando os horizontes, apenas três gestoras superaram o IFIX em três, cinco e dez anos ao mesmo tempo: BTG, XP e Polo Capital. São as casas que, ao longo do tempo, mais consistentemente entregaram acima do mercado.

## Os que protegem na queda

Retorno alto com pouco sobressalto é a marca da boa gestão. O melhor exemplo é a Kinea: entregou +46,3% em três anos com uma queda máxima de apenas 9,7% — a menor volatilidade de toda a amostra. No período, os gestores que mais oscilaram foram, via de regra, os que menos entregaram: a correlação entre volatilidade e retorno foi fortemente negativa. Disciplina rendeu mais do que agressividade.

Casos isolados, não a regra

O estudo também expõe os extremos negativos — Cartesia, Urca e a RTSC Holding (que reúne Devant e Hectare). Vale o contexto: são, em sua maioria, fundos de crédito de "high yield" que apostaram em recebíveis de maior risco e foram atingidos por uma onda de inadimplência. Representam uma fração pequena e específica do mercado, não o comportamento da classe — e são exatamente o tipo de risco que os cinco pilares ajudam a identificar antes, não depois.

## Taxa mais alta não comprou desempenho

Também não houve relação entre pagar mais caro e ganhar mais. A correlação entre a taxa de administração sobre o patrimônio e o retorno foi de −0,23 — levemente negativa. O caso extremo é emblemático: a Urca, penúltima colocada do ranking geral, cobra a maior taxa/PL da amostra (1,72%), contra uma mediana de mercado de 0,70%. O custo, na prática, corroeu ainda mais um resultado já ruim.

Ranking por segmento

Líderes de cada segmento no retorno acumulado de 36 meses:

## Ranking geral — os dez melhores e os cinco piores

Ranking melhores e priores desempenho
Ranking melhores e priores desempenho
Ranking os 40
Ranking os 40

## Como aparece na plataforma Brick360

Na plataforma Brick360, cada gestora recebe uma nota de 1 a 5 conforme o quintil de desempenho no período — do 1º quintil (nota 5) ao 5º (nota 1) —, além de um recorte por segmento.

Plataforma em 19-08-2026
Plataforma em 19-08-2026

Gestores agrupados por nota (quintil de desempenho) na plataforma Brick360. Os percentuais aqui usam uma janela de datas ligeiramente distinta da do artigo, o que explica pequenas diferenças de ordem e valores.

Visão de Desempenho do Gestor por segmento em 19-08-2026
Visão de Desempenho do Gestor por segmento em 19-08-2026

Metodologia

O levantamento parte das séries de retorno total (cota + proventos) por fundo, da base Brick360, agregadas por gestora — uma linha por casa, com ponderação pela liquidez. Cada fundo é atribuído à sua gestora de fato, e não ao administrador ou distribuidor; casas com mais de um veículo foram consolidadas (Pátria, HSI, Capitânia, BTG, Riza), e Devant e Hectare aparecem sob a RTSC Holding, que as controla. O ranking usa a janela de 36 meses (01/08/2023 a 31/07/2026), na qual 40 das 45 gestoras têm histórico completo; ficam de fora AZ Quest, BB Asset, Guardian, Gazit e Itaú Asset, por operarem fundos com menos de três anos.

O retorno é o acumulado no período, apresentado também em base anualizada. Volatilidade é o desvio-padrão dos retornos diários anualizado; queda máxima (max drawdown) é a maior perda de pico a vale. A classificação por segmento usa o segmento predominante (ponderado pela liquidez) dos fundos de cada gestora; casas que operam em múltiplos segmentos sem predominância clara foram agrupadas em "Multiestratégia".

O CDI vem da série 12 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central (+44,0% na janela). O IFIX (variação de 36 meses, +19,5%) foi apurado na base Brick360 e cruzado com fontes públicas de mercado. Dados de taxa de administração e liquidez por fundo foram tratados para remover erros evidentes de cadastro (taxas sobre PL acima de 5% e taxas sobre receita acima de 30% foram descartadas). A amostra é composta por gestoras ativas e com liquidez, o que introduz um viés de sobrevivência: fundos encerrados no período não entram na conta.

Estudo completo que deu origem a reportagem do Valor Econômico: https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos-imobiliarios/especial/so-tres-de-48-gestoras-de-fundos-imobiliarios-bateram-o-cdi-em-tres-anos-o-que-o-ranking-revela.ghtml

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