Fato RelevanteAquisição do Centro Logístico Grande Vitória
A principal aquisição em volume é o Centro Logístico Grande Vitória, localizado em Viana/ES, por R$ 643,56 milhões. O ativo possui aproximadamente 184 mil m² de ABL, padrão AAA, 10 galpões e 112 docas, além de acesso direto às rodovias BR-101 e BR-262. O empreendimento apresenta ocupação de 98,91% e uma base pulverizada de 28 locatários, incluindo DHL, Ybera, Ativa, Super BH e Raia Drogasil, com o maior inquilino representando aproximadamente 14% da receita do imóvel. A operação foi realizada a aproximadamente R$ 3.495/m² e cap rate de 8,57% a.a., enquanto o aluguel médio de R$ 24,97/m² permanece abaixo dos R$ 27,00/m² observados na locação mais recente, criando potencial de crescimento da receita em futuras renovações e revisões contratuais. O ativo reforça de maneira relevante o perfil logístico do TRXF11, com elevada ocupação, boa escala e menor concentração individual de locatários.

Aquisição do Galpão Logístico DHL em Extrema
Em Extrema/MG, o TRXF11 estruturou a aquisição indireta de um ativo logístico por R$ 424,33 milhões, com aproximadamente 91,8 mil m² de ABL e locação integral para a DHL. O imóvel apresenta padrão AAA, 3 módulos, 113 docas e está inserido em um dos principais mercados logísticos do país, com acesso à Rodovia Fernão Dias e proximidade da Região Metropolitana de São Paulo. A aquisição ocorreu a R$ 4.624,79/m², com cap rate de 8,50% a.a. e yield on cost estimado de 10,50% a.a. nos primeiros 12 meses, beneficiado por uma renda mínima garantida pelo vendedor. O contrato com a DHL é típico, corrigido pelo IPCA, possui prazo de 5,5 anos, multa equivalente a 12 aluguéis e aviso prévio de 9 meses. A operação adiciona ao portfólio um ativo de elevada qualidade construtiva e um locatário de relevância global, embora o prazo contratual seja mais curto do que a média atual do fundo e exija acompanhamento ao longo dos próximos anos.

Aquisição da Sede da BRF
O fundo também adquiriu 90,07% da sede administrativa da BRF em Curitiba/PR, por R$ 103,49 milhões. A fração adquirida corresponde a aproximadamente 23,4 mil m² de ABL, com preço de aquisição de R$ 4.429,44/m² e cap rate de 10,25% a.a., o maior entre as 3 operações analisadas. O imóvel está localizado no eixo Ecoville/Mossunguê, com acesso direto à BR-277 e próximo ao ParkShopping Barigui, ativo que já integra o portfólio do TRXF11. A BRF concentra aproximadamente 1.200 colaboradores no local e utiliza o imóvel para funções corporativas relevantes. O contrato é típico, corrigido pelo IPCA, com vencimento em agosto de 2033 e multa rescisória de 3 meses. A operação apresenta boa relação entre renda corrente e preço de entrada, além de incluir um novo segmento de locatário na carteira, embora o perfil contratual ofereça menor proteção de saída antecipada quando comparado aos contratos atípicos predominantes no fundo.

Impacto das aquisições no portfólio
Considerando o conjunto das operações já divulgadas, o TRXF11 passa de R$ 10,66 bilhões para R$ 12,55 bilhões investidos em imóveis, crescimento de 17,74%. O número de ativos aumenta de 120 para 128, enquanto a ABL avança 29,05%, de aproximadamente 1,58 milhão de m² para 2,04 milhões de m². A área de terreno aumenta 50,80%, e a presença geográfica passa de 18 para 19 estados e Distrito Federal e de 63 para 68 cidades. Em contrapartida, o prazo médio dos contratos recua 12,56%, de 12,34 para 10,79 anos. Apesar dessa redução, mais de 60% da receita permanece vinculada a contratos atípicos, e 86,42% do valor investido está localizado em regiões metropolitanas, preservando características relevantes de previsibilidade contratual e qualidade de localização.
Diversificação e perfil da carteira
Após as operações, os imóveis logísticos passam a representar 49,95% da ABL do TRXF11, consolidando-se como a principal tipologia da carteira, enquanto o varejo responde por 32,51%. Sob a ótica das receitas por segmento de atuação dos locatários, a composição permanece mais diversificada, com e-commerce representando 19,00%, atacadistas 16,14%, shopping centers 10,56%, varejo 7,69% e hospitais 7,02%, além de diferentes setores com participações menores. A carteira também mantém boa dispersão entre locatários, com Mercado Livre representando 14,94% da receita, seguido por Assaí, com 6,87%, Grupo Mateus, com 6,57%, e Albert Einstein, com 6,12%. A entrada dos novos ativos amplia a exposição à DHL, aos multilocatários logísticos e adiciona a BRF à base de inquilinos.

Estrutura contratual e previsibilidade de receitas
O TRXF11 mantém uma estrutura contratual predominantemente defensiva, com 60,45% da receita proveniente de contratos cuja multa de rescisão corresponde ao saldo remanescente, enquanto 34,82% possuem proteção equivalente a até 6 meses, 1,45% a até 12 meses e 3,28% a até 18 meses. O prazo médio consolidado de 10,79 anos permanece elevado em termos absolutos, embora inferior aos 12,34 anos observados antes das operações. A incorporação de contratos típicos, como DHL e BRF, aumenta marginalmente a exposição do fundo a riscos de renovação, renegociação e eventual vacância ao longo do tempo, tornando importante acompanhar o calendário de vencimentos, especialmente diante do aumento relevante da escala do portfólio.

Conclusão
As aquisições reforçam uma estratégia de crescimento baseada em aumento de escala, diversificação e incorporação de imóveis com boa qualidade técnica e locatários relevantes. O Centro Logístico Grande Vitória se destaca pela pulverização de inquilinos e potencial de crescimento dos aluguéis, Extrema adiciona um ativo logístico AAA em uma das regiões mais consolidadas do país e a sede da BRF apresenta o maior cap rate entre as operações, além de ampliar a diversificação setorial. Em contrapartida, o avanço de contratos típicos e a redução do prazo médio da carteira aumentam a importância do acompanhamento da duração contratual e da capacidade de renovação. No agregado, as operações ampliam significativamente a base imobiliária do TRXF11 sem alterar a faixa estimada de distribuição até dezembro de 2026, mantida entre R$ 0,90 e R$ 0,93 por cota segundo a gestora.